
Vitória nas urnas fortalece a esperança de avanços sociais, valorização da educação pública e defesa dos direitos dos trabalhadores
A democracia brasileira escreveu mais um capítulo de sua história neste domingo (25 de outubro), com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República. Com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, Lula derrotou Flávio Bolsonaro (PL), que obteve 48,21%, e conquistou um novo mandato para governar o país a partir de janeiro de 2027.
Para a APLB-Sindicato, entidade comprometida com a defesa da educação pública, dos direitos dos trabalhadores e da justiça social, o resultado representa também a renovação da esperança de que o Brasil avance na construção de um projeto de país que coloque a vida, a dignidade humana e a redução das desigualdades no centro das políticas públicas.
“Parabenizamos o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela reeleição e pela confiança depositada por milhões de brasileiros nas urnas. Esse resultado reafirma a importância da democracia e renova a esperança de avanços nas políticas sociais, na valorização dos trabalhadores e, especialmente, no fortalecimento da educação pública. A democracia precisa ser respeitada não apenas no resultado das eleições, mas também nas condições oferecidas ao povo para exercer livremente o seu direito de voto”, destaca o coordenador-geral da APLB, professor Rui Oliveira.
A vitória acontece em um cenário de forte polarização política e de episódios graves que colocaram em alerta as instituições democráticas. O direito ao voto, conquista fundamental da população brasileira, precisa ser respeitado em todas as circunstâncias. Não basta garantir urnas abertas: é indispensável assegurar condições reais para que cada cidadã e cada cidadão possam chegar ao local de votação e exercer livremente sua escolha.
Uma vitória que reafirma a força da democracia
A eleição de Lula reafirma a importância da participação popular como instrumento de transformação social. O resultado foi definido pelo voto, e a vontade expressa nas urnas deve ser respeitada por todos os setores da sociedade.
Em um país marcado por profundas desigualdades, a democracia precisa ir além do processo eleitoral. Ela se fortalece quando garante direitos, combate a fome, amplia o acesso à saúde e à educação, valoriza os trabalhadores e oferece oportunidades para quem historicamente foi deixado à margem.
É nesse horizonte que se insere a luta da APLB-Sindicato. Defender a democracia é também defender a escola pública, os profissionais da educação, a liberdade de ensinar e aprender e o direito de crianças, jovens e adultos a uma educação pública, gratuita, inclusiva e de qualidade.
O direito de votar não pode ser alvo de obstáculos
Um dos episódios mais graves do segundo turno foi a redução da oferta de ônibus em Salvador, justamente em um dia no qual o transporte público deveria funcionar com frequência compatível à dos dias úteis, conforme as regras eleitorais.
Na capital baiana, denúncias apresentadas à Justiça Eleitoral apontaram uma redução superior a 50% na frota em circulação. Durante fiscalizações, o Procon-BA identificou centenas de ônibus parados em garagens, apesar das dificuldades relatadas por eleitores para chegar às seções eleitorais.
Diante das ocorrências, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), desembargador Maurício Kertzman Szporer, determinou o restabelecimento integral da frota, com gratuidade das passagens e frequência equivalente à dos dias úteis. A decisão também determinou à Polícia Federal a prisão do secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, diante dos indícios apontados no caso. A apuração das responsabilidades deverá seguir os procedimentos legais.
A postura da gestão do prefeito Bruno Reis, que confirmou que parte dos ônibus não havia saído das garagens e atribuiu o recolhimento a questões envolvendo adesivos eleitorais, merece forte questionamento. Problemas relacionados à propaganda nos veículos não podem se sobrepor ao dever de assegurar o transporte da população em um dia decisivo para a democracia.
O episódio é ainda mais preocupante porque o transporte público é essencial para trabalhadores, idosos, pessoas com deficiência e famílias de baixa renda, que dependem desses serviços para exercer seus direitos. Impedir ou dificultar o acesso às urnas, quando comprovado, não é um simples problema de mobilidade: é uma ameaça ao exercício da cidadania. Sobre essa questão, o coordenador-geral da APLB, Rui Oliveira, expressa indignação:
“O que aconteceu em Salvador é extremamente grave e exige uma investigação rigorosa, transparente e independente. É preciso apurar todas as circunstâncias envolvendo a redução da frota de ônibus no dia da votação e verificar as responsabilidades da gestão municipal. O prefeito Bruno Reis precisa prestar os esclarecimentos necessários às autoridades e à sociedade. Se forem comprovadas irregularidades ou omissões, os responsáveis devem responder na forma da lei, independentemente do cargo que ocupam”.
Rui ressalta a defesa de um direito fundamental do povo. “Não podemos admitir que a população, especialmente os trabalhadores e as pessoas que mais dependem do transporte público, seja prejudicada no exercício de um direito fundamental. A vontade popular precisa ser respeitada. A APLB-Sindicato continuará na defesa intransigente da democracia, dos direitos sociais e de uma educação pública de qualidade, porque não existe democracia plena sem educação, justiça social e respeito à cidadania.”

As denúncias ultrapassaram Salvador
A preocupação com o acesso ao voto não ficou restrita à capital baiana. Em Feira de Santana, relatos de dificuldades no transporte durante o primeiro turno levaram a Defensoria Pública da União (DPU) a recomendar providências para garantir a gratuidade, a regularidade das linhas e uma oferta compatível com a demanda eleitoral. No segundo turno, a fiscalização do Ministério Público informou não ter identificado retenção generalizada da frota urbana nas garagens, embora tenha registrado uma ocorrência pontual relacionada ao transporte eleitoral rural, posteriormente solucionada.
Em outras partes do país, também foram registradas denúncias de insuficiência ou restrição na oferta de transporte. A Polícia Federal anunciou investigações sobre possíveis irregularidades relacionadas ao deslocamento de eleitores, incluindo ocorrências em Sergipe e apurações preliminares envolvendo outros estados.
Esses fatos exigem apuração rigorosa, transparência e responsabilização, caso sejam comprovadas irregularidades. A disputa eleitoral não pode servir de justificativa para restringir direitos nem para colocar interesses políticos acima das necessidades da população.
A democracia não se resume à contagem dos votos. Ela depende de condições concretas para que cada pessoa possa participar, sem constrangimento, discriminação ou impedimentos.
Educação pública no centro das prioridades do novo governo
Para a APLB-Sindicato, a reeleição de Lula abre uma nova etapa de cobranças e mobilização em defesa da educação pública brasileira.
O novo mandato precisa avançar no financiamento da educação, na valorização dos profissionais do magistério, no cumprimento dos direitos trabalhistas, na melhoria das condições de trabalho e aprendizagem e no fortalecimento das políticas de inclusão e permanência dos estudantes nas escolas.
É fundamental que o compromisso com a justiça social se traduza em ações concretas: escolas estruturadas, profissionais valorizados, salários dignos, carreira respeitada, formação continuada e políticas públicas capazes de enfrentar as desigualdades educacionais que atingem principalmente a população mais vulnerável.
A educação não pode ser tratada como despesa secundária, tampouco ficar à mercê de disputas partidárias. Investir na escola pública é investir na soberania nacional, na redução das desigualdades e na formação de cidadãos capazes de participar criticamente da sociedade.
A APLB seguirá vigilante e mobilizada, cobrando dos governos federal, estadual e municipais o cumprimento de suas responsabilidades. O apoio à democracia não significa abrir mão da autonomia sindical, da capacidade de reivindicar ou do compromisso permanente com os direitos da categoria.
A Bahia fez sua voz ecoar
A Bahia, historicamente marcada pelas lutas populares e pela resistência, teve papel expressivo no resultado eleitoral. A memória do Dois de Julho, símbolo da participação do povo baiano na Independência do Brasil, inspira a reflexão sobre a importância de defender a liberdade, a soberania popular e os direitos conquistados coletivamente.
A história ensina que nenhuma conquista é definitiva quando não há participação popular, organização e vigilância. Por isso, o resultado das urnas deve ser compreendido não como um ponto final, mas como o início de uma nova etapa de responsabilidades e compromissos.
A vitória eleitoral renova expectativas, mas também exige ação. É hora de transformar a esperança em políticas públicas, ampliar direitos e fortalecer os serviços essenciais que atendem à população.
A luta continua: democracia, direitos e educação para todos
A reeleição de Lula é uma vitória eleitoral que fortalece a esperança de milhões de brasileiros por um país mais justo, democrático e igualitário. Para a classe trabalhadora e os profissionais da educação, o desafio agora é garantir que essa esperança se traduza em conquistas reais.
A APLB-Sindicato reafirma seu compromisso com a democracia, com a defesa intransigente da educação pública e com a valorização dos trabalhadores e trabalhadoras do magistério. Seguiremos nas ruas, nas escolas e nos espaços de diálogo e negociação, defendendo direitos, cobrando compromissos e enfrentando qualquer tentativa de retrocesso.
Que o sol volte a brilhar com mais força sobre o Brasil. Que a esperança se transforme em trabalho, direitos, oportunidades e dignidade. E que a educação pública seja reconhecida como um dos pilares fundamentais de um país que deseja construir um futuro melhor para todas e todos.
Viva a democracia! Viva a educação pública! Viva a luta dos trabalhadores e trabalhadoras da educação!
