Novo piso nacional dos professores não deve ser boicotado nos estados e municípios.

 

A valorização da educação começa pela valorização dos professores. Isto é de tal obviedade que poucos se manifestariam contra a lógica da estruturação da profissão incumbida de realizar, na prática, a formação do conhecimento e da cidadania que alicerça o desenvolvimento coletivo e qualidade de vida dos indivíduos. Mas no momento que se tem um tímido aumento salarial de aproximadamente 15% para categoria, há uma reação política segundo a qual o novo piso significaria a quebradeira das contas públicas municipais.

Trata-se de resposta supreendentemente imediata, sem a menor consideração da importância dos professores da rede pública para um povo empobrecido e cercado por graves desigualdades. Embora seja legítima a preocupação com as contas, prefeitos e demais gestores precisam escolher quais as prioridades para o país e se a educação faz parte delas, o novo piso dos professores ainda é pouco para a responsabilidade que carregam.

O Ministério da Educação já homologou o reajuste. Governos estaduais e prefeituras relutam em confirmar o pagamento, alegando a necessidade de estudos, por exemplo, a respeito dos impactos nas contas. Mas os salários dos professores são pagos pelo Fundeb, que vem da União. Se o impacto nas contas for, de fato, ameaçador para estados e municipios, basta bater à porta do MEC em Brasília, para buscar alternativas de solução. O que não pode é haver o risco de se deixar de atender ao piso, minimizando o interesse dos professores – e por tabela, dos milhões de estudantes e famílias que depositam esperanças na melhoria da educação para um futuro menos indigno.

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Fonte: Jornal do Commercio – Editorial Recife, sábado, 21 de janeiro de 2023

Aplb

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