NOTA DA APLB-SINDICATO DE JEQUIÉ: Pagar bônus pelo desempenho da alfabetização não resolve problemas da educação.

A APLB-Sindicato de Jequié manifestou preocupação com a proposta apresentada pela Prefeitura de Jequié por meio do Projeto de Lei Municipal nº 08/2026, que institui o Bônus de Desempenho da Alfabetização destinado aos professores alfabetizadores da Rede Municipal de Ensino. Para a entidade representativa dos trabalhadores da educação pública, a política adota uma lógica meritocrática que não contribui para a resolução dos problemas estruturais da educação.

De acordo com a diretora da entidade, a professora Caroline Moraes, não é admissível estabelecer remuneração diferenciada entre profissionais da educação, como se os resultados obtidos no processo de alfabetização fossem consequência apenas de esforços individuais. “Meritocracia é competição em vez de cooperação; é a negação do reconhecimento da classe; é individualizar aquilo que se conquista de forma coletiva e social”, afirmou a dirigente sindical.

Segundo a diretoria da APLB-Sindicato, a proposta desconsidera a realidade enfrentada pelas escolas e impõe uma pressão excessiva aos professores. A entidade defende que a melhoria da qualidade da educação pública passa por investimentos estruturais, valorização profissional, condições dignas de trabalho, redução da sobrecarga e apoio efetivo ao processo de ensino-aprendizagem, e não por premiações pontuais e seletivas.

Destaca ainda que os espaços escolares e acadêmicos não devem ser transformados em ambientes de concorrência e disputa, divididos entre “ganhadores e perdedores” ou “bem-sucedidos e malsucedidos”. Para a entidade, a comunidade escolar deve permanecer como um espaço público, coletivo e voltado à construção colaborativa do conhecimento, por meio da convivência saudável e das aprendizagens compartilhadas.

A professora Caroline Moraes também ressaltou que os professores municipais de Jequié já possuem uma carreira legitimada pelas legislações nacionais que regulamentam as políticas públicas de valorização do magistério.

“O que é preciso é o cumprimento integral da carreira e a valorização dos profissionais da educação. Além disso, é necessário regulamentar de forma aprofundada como se dará o pagamento desse bônus, já que ele poderá ser realizado com recursos do FUNDEB”, pontuou.

A diretora informou ainda que não houve qualquer discussão prévia do tema com a APLB-Sindicato de Jequié. Segundo ela, a entidade também desconhece se a proposta foi debatida junto ao Conselho Municipal de Educação e ao Conselho CACS/FUNDEB.

Aplb

Voltar ao topo